Além da pecuária e Agricultura.

O Brasil da criatividade e da tecnologia na crise.

O Brasil ainda é visto como o grande produtor rural. Será que temos potencial para mudar esta realidade através da tecnologia da informação e da criatividade? E o que é necessário para que isso se torne realidade?

 

Em 2010, em meio a chamada “a grande recessão”, crise que impactou o mundo, escrevi uma série de artigos sobre a exportação de
know-how pelas agências digitais brasileiras e das vantagens em se trabalhar com nossas empresas comparado com empresas de outros países.

Estas impressões foram baseadas na minha experiência gerenciando profissionais de países como EUA, Índia, e Rússia e gerenciando projetos para empresas no Brasil, EUA, México e China ao longo daquele período.

Esta releitura visa injetar ânimo no nosso mercado, em tempos de turbulência,  destacando pontos positivos que nos tornam competitivos e os negativos que podemos melhorar.

Indiscutivelmente, somos criativos. Reflexo de nossa cultura ímpar, alegre, destemida e do bem. Na minha opinião somos criativos pois nos acostumamos a lidar com as incertezas, adversidades e falta de apoio governamental. O famoso “se vira nos 30”.

 

Sim, somos organizados. Tentar vender um projeto digital simples no Brasil, como por exemplo um website, sem a devida organização é receita para problemas. Por que? O rápido crescimento do mercado digital no país e a crescente necessidade das empresas a se adaptarem a um novo meio, geraram uma carência por profissionais de marketing capacitados para comprar e gerir projetos digitais.

 

Diante deste cenário, as agências brasileiras sempre tiveram que ser muito organizadas, utilizando mapas, sistemas, planilhas e diversas ferramentas a fim de deixar óbvio o que o cliente está comprando, além de integrá-lo em todo o processo. Do briefing à análise de resultados. A integração total da criatividade com a tecnologia da informação.

Em minhas experiências com clientes e agências internacionais, percebi que evitam excesso de informações e se focam no cumprimento de prazos e análise dos resultados.
Uma confiança “madura” no trabalho da agência.
Também percebi que são decididos antes mesmo de procurarem uma agência, característica, ao meu ver, de mercados mais experientes e desenvolvidos.

Low budget. Sim, somos low budget. Criamos campanhas multidisciplinares envolvendo, web, mobile e TV por valores bem abaixo do mercado europeu e americano. Sem contar a cotação dólar/real.  Na minha opinião as verbas ainda são baixas por aqui pela falta de percepção do mercado no valor agregado ao trabalho das agências digitais. Não deixa de ser uma vantagem competitiva esta capacidade adquirida que temos de trabalhar bem e entregar excelentes resultados com verba escassa.

 

Somos sociais. O brasileiro adora se relacionar. Não é à toa que somos uma potência mundial nas redes sociais. Esse carismático e dedicado “jeito brasileiro”, faz toda a diferença no atendimento mais humano e personalizado. E em um mundo cada vez mais automatizado, acredite, é uma grande vantagem. 

O que ainda, podemos melhorar:

Mão de obra especializada. Temos excelentes profissionais, porém poucos. Esta desvantagem é muito visível quando desenvolvemos projetos grandes e multidisciplinares em curtos períodos. Acabamos por exportar não só know-how mas também projetos que acabam por necessitar de mão de obra especializada fora do Brasil.

Low budget, low technology. As verbas reduzidas nos projetos digitais acabam por coibir os investimentos profissionais em tecnologias de ponta e pesquisa. 

Idioma. Infelizmente, ainda é uma grande barreira este aprofundamento em outros idiomas para facilitar o relacionamento com clientes de outros países que não falam português. (..) De acordo com a pesquisa do British Council e do Instituto de Pesquisa Data Popular, apenas 5% da população do país fala a língua inglesa, sendo 1% deles fluentes.

Uma vantagem recente em relação a estes últimos pontos é que os cursos de EAD, por conta das medidas de restrição e dos lock downs, nunca estiveram tão acessíveis e segundo pesquisas nunca se praticou tanto o self education como agora.

 A pesquisa da empresa Pearson, intitulada  a Global Learner Survey, sobre o este tema, publicou que quando precisavam de uma nova qualificação para o trabalho, 46% dos brasileiros participantes dizem terem aprendido sozinhos usando recursos da internet. 

Talvez possamos assistir algum desenvolvimento neste sentido no país, apoiado pela iniciativa privada e pela incansável busca da excelência por boa parte de nossos profissionais.

Qual sua opinião sobre o tema? Comente e compartilhe.

Artigo baseado nos textos O jeitinho brasileiro na comunicação digital mundial publicado no portal Webinsider em 04/10/2010 
Ler original. / Pequenas empresas Grandes negócios EDIÇÃO 268 - MAIO/2011
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